As benfeitorias



Consistem nas despesas realizadas com vista a conservar ou melhorar o imóvel. E existem três tipos de benfeitorias: as necessárias, as úteis e as voluptuárias, conforme tipificado no art.º 216.º do Código Civil (C..C), que consagra este regime.


Como se caracteriza cada tipo de benfeitorias?

Benfeitorias necessárias. Segundo o próprio nome indica, destinam-se a evitar a perda, destruição ou deterioração da coisa. No âmbito imobiliário, tal como esclarece a Teixeira Advogados & Associados, pode ser considerada uma benfeitoria necessária, por exemplo, a despesa com fim à reparação da canalização, sistema elétrico ou hidráulico do imóvel, a recuperação de soalho, janelas ou eventuais pinturas.


Benfeitorias úteis. Apesar de não serem indispensáveis para a conservação, atendem a um aumento do seu valor. A título exemplificativo estas abrangem, por exemplo, a construção de uma garagem ou otimização da eficiência energética, colocando painéis solares ou, ainda, isolamento.


Benfeitorias voluptuárias. Não sendo indispensáveis para a conservação nem aumentando o valor, servem unicamente para recreio do benfeitorizante, numa perspetiva de o embelezar e tornar mais agradável. Resumem-se, por exemplo, obras no jardim do imóvel, alteração das loiças de casa de banho, azulejos ou pavimento.


Em que medida pode o benfeitor recuperar o crédito efetuado pelas despesas?

O legislador prevê as seguintes possibilidades:

O possuidor, quer o de boa-fé como o de má-fé, tem direito a ser indemnizado das benfeitorias necessárias que tenha suportado, pelos proprietários do imóvel, à luz do preceito do art.º 1273.º n.º 1 do C.C.

De igual forma, tanto o possuidor de boa-fé como o de má-fé, dispõem da faculdade de levantar as benfeitorias úteis que efetuaram no imóvel, desde que tal seja possível sem o detrimento do mesmo. Quando se revela impossível proceder ao levantamento sem esse prejuízo, há lugar à compensação do benfeitor pelo valor da despesa, calculado à luz das regras do enriquecimento sem causa, conforme estipulado no art.º 1273.º n.º 2 do C.C, a fim de impedir circunstância em que, sem causa justificativa, se enriqueça à custa de outrem estando, por isso, adstrito a restituir aquilo com que injustamente se locupletou.

No que obsta às benfeitorias voluptuárias, caso o levantamento destas não obste ao dano do imóvel este é permitido ao possuidor de boa-fé. Todavia, se for suscetível de deteriorar, não lhe será possível levantá-las nem haver o valor delas. Porém, o possuidor de má-fé, perde, em qualquer caso, as benfeitorias voluptuárias que tenha desenvolvido.

Qual o prazo para arguir as benfeitorias?

O benfeitor beneficia de um prazo de vinte anos para invocar os seus direitos indemnizatórios, nos termos do art.º 309.º do C.C.

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